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Salário-maternidade da MEI: direito, valor e como pedir

O salário-maternidade da MEI é um direito de quem paga o INSS pelo DAS e mantém a qualidade de segurada. Desde 2024 não há mais carência para a contribuinte individual: o STF derrubou a exigência de 10 meses. O valor é de 1 salário mínimo, R$ 1.621,00 em 2026, pago durante 120 dias no parto, na adoção, na guarda e também em caso de natimorto. O pedido é feito direto no Meu INSS, e não pela empresa, com o DAS em dia.

Resumo

  • A MEI é segurada porque paga o INSS dentro do DAS, com 5% do salário mínimo.
  • Não há mais carência: o STF derrubou a exigência; basta manter a qualidade de segurada.
  • O valor é de 1 salário mínimo, R$ 1.621,00 em 2026, por 120 dias.
  • O pedido é feito no Meu INSS, com o DAS em dia, e quem paga é o INSS.

A MEI tem direito ao salário-maternidade?

Sim, a MEI tem direito ao salário-maternidade, desde que pague o INSS e mantenha a qualidade de segurada. Muita gente acha que o benefício é só de quem tem carteira assinada, mas não é.

Quando você abre o seu CNPJ, passa a pagar o DAS, a guia mensal do Simples Nacional. Dentro desse boleto já vai a sua contribuição previdenciária, de 5% do salário mínimo, que é o que garante a você a qualidade de segurada do INSS. É essa contribuição que abre a porta para os benefícios, entre eles o salário-maternidade.

O salário-maternidade protege a gestante e também a mãe em outras situações. Ele vale para o parto, para a adoção e para a guarda com fins de adoção, e ainda para o caso doloroso do natimorto, quando o bebê nasce sem vida. Nesses casos, a mãe não fica sem renda no período de recuperação e de cuidado com a criança.

Se você quiser entender todos os detalhes do benefício e os outros perfis que têm direito, veja a página de salário-maternidade para MEI e autônoma, que eu atendo em Uberlândia e online.

A MEI ainda precisa de carência?

Não. Desde 2024, o salário-maternidade não exige mais carência da MEI. Até então, a contribuinte individual precisava de 10 meses de contribuição, mas o STF, no julgamento das ADIs 2.110 e 2.111, declarou essa exigência inconstitucional.

A decisão foi confirmada na esfera administrativa pelo Enunciado nº 19 do CRPS, que tornou a carência inexigível para o salário-maternidade. Na prática, a MEI, a autônoma, a facultativa e a segurada especial passaram a ter o mesmo tratamento da empregada de carteira assinada, que nunca precisou de carência.

O que continua valendo é a qualidade de segurada: você precisa estar inscrita e com a sua situação em dia no INSS na data do parto ou da adoção. Para a MEI, isso quer dizer manter o DAS em dia. Por isso, mesmo sem carência, o ideal é não deixar o pagamento atrasar.

Carência do salário-maternidade conforme o tipo de segurada
Situação da mãeCarência exigidaQuem paga
MEI (contribuinte individual)Sem carência, com qualidade de seguradaINSS, direto
Autônoma (contribuinte individual)Sem carência, com qualidade de seguradaINSS, direto
Empregada de carteira assinadaSem carênciaA empresa adianta
Desempregada no período de graçaSem carência, mantida a qualidade de seguradaINSS, direto

Atualizado em outubro de 2026. A dispensa de carência segue o STF (ADIs 2.110 e 2.111) e o Enunciado 19 do CRPS.

Qual o valor e por quanto tempo a MEI recebe

O valor do salário-maternidade da MEI é de 1 salário mínimo, R$ 1.621,00 em 2026, pago durante 120 dias. Como a MEI contribui sobre o salário mínimo, o benefício dela parte desse mesmo piso.

Esse ponto costuma surpreender quem fatura mais do que um salário mínimo no negócio. Mesmo assim, o salário-maternidade acompanha a base de contribuição, que para o MEI é fixa no mínimo. Quem quer um valor maior precisaria contribuir em outra categoria, o que é uma decisão de planejamento que eu analiso caso a caso.

Os 120 dias correspondem a cerca de quatro meses. O período começa, em geral, a partir do parto ou do nascimento, mas a gestante pode iniciar o afastamento até 28 dias antes da data prevista, com atestado médico. Durante esse tempo, o foco é cuidar do bebê e da sua recuperação.

Valor e duração do salário-maternidade da MEI em 2026
ItemComo fica para a MEI
Valor mensal1 salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026)
Duração120 dias
InícioDo parto, ou até 28 dias antes, com atestado
Situações cobertasParto, adoção, guarda e natimorto

Como pedir o salário-maternidade da MEI no Meu INSS

A MEI pede o salário-maternidade direto no Meu INSS, pelo aplicativo ou pelo site, e recebe do próprio INSS. Diferente da empregada de carteira assinada, a MEI não depende de nenhuma empresa para adiantar o benefício.

Veja o passo a passo que eu oriento as minhas clientes a seguir:

Passo a passo para pedir o salário-maternidade da MEI no Meu INSS
PassoO que fazer
1Entre no aplicativo ou site Meu INSS com a sua conta gov.br.
2Busque por "salário-maternidade" e escolha a opção de novo pedido.
3Informe a data do parto, da adoção ou da guarda e anexe a certidão.
4Confira se os seus dados de MEI e os DAS pagos aparecem corretos.
5Envie o pedido, guarde o número do protocolo e acompanhe as exigências.

Depois do envio, o INSS analisa a sua qualidade de segurada e os documentos. Se pedir algum papel a mais, você recebe um aviso no Meu INSS, com prazo para responder. Acompanhar esse prazo é o que evita que o pedido seja arquivado por falta de resposta.

Qual é a data certa de pedir

O ideal é pedir logo após o parto, com a certidão de nascimento em mãos. O salário-maternidade pode ser requerido até 5 anos depois do fato, mas quanto antes você pede, mais rápido a renda chega na fase em que ela mais faz falta.

DAS em atraso: o que muda no seu pedido

O DAS precisa estar em dia para o salário-maternidade ser concedido. Meses em atraso podem fazer o INSS entender que você perdeu a qualidade de segurada, e o pedido fica travado enquanto não forem regularizados.

Na prática, se você deixou alguns DAS sem pagar, o INSS pode entender que você perdeu a qualidade de segurada e negar o pedido. A boa notícia é que dá para regularizar: você paga as guias em aberto, com os acréscimos, e a sua situação volta a ficar em dia. O problema é o tempo, porque a regularização pode atrasar a análise.

Por isso, a minha orientação é simples: mantenha o DAS em dia durante toda a gravidez e também durante os 120 dias do benefício. Perder a qualidade de segurada por falta de pagamento é um dos motivos mais comuns de negativa que eu vejo no dia a dia.

O que fazer se o INSS negar

Se o INSS negar o salário-maternidade da MEI, você não precisa aceitar a decisão de imediato. Existem caminhos para reverter a negativa, dentro e fora do INSS.

Os motivos mais comuns de negativa são perda da qualidade de segurada, DAS em atraso, divergência na data do parto e erro no enquadramento da segurada. Muitas dessas situações se resolvem com documentos e com a leitura correta da carta de indeferimento. Entenda os motivos de negativa do salário-maternidade e como agir em cada um.

O primeiro caminho costuma ser o recurso administrativo contra o INSS, que tem prazo de 30 dias a partir da ciência da negativa. Se o recurso não resolver, é possível buscar a Justiça Federal. Eu analiso a carta, identifico o motivo real e indico o caminho mais rápido para o seu caso.

Checklist de documentos para o pedido

Antes de abrir o pedido, separe estes documentos. Eles evitam exigências e aceleram a análise do INSS.

  • Documento de identidade com foto e CPF.
  • Comprovante de inscrição como MEI (certificado do CNPJ).
  • Comprovantes de pagamento dos DAS que mantêm a sua qualidade de segurada.
  • Certidão de nascimento do bebê, ou termo de adoção ou guarda.
  • Atestado médico, se quiser iniciar o afastamento antes do parto.
  • Conta bancária em seu nome para receber o benefício.

Se você ainda está grávida e quer organizar tudo antes do parto, veja o guia da MEI grávida, com o que fazer mês a mês para garantir o benefício. E se você também já foi empregada, a regra pode mudar: vale conhecer o salário-maternidade para desempregada.

Perguntas frequentes sobre o salário-maternidade da MEI

Estas são as dúvidas que eu mais escuto das mães que são MEI, com respostas diretas.

A MEI tem direito ao salário-maternidade?

Sim. A MEI paga o INSS todo mês dentro do DAS, com a contribuição de 5% do salário mínimo, e isso lhe dá a qualidade de segurada. Mantida a qualidade de segurada, ela tem direito ao salário-maternidade por parto, adoção, guarda e também em caso de natimorto.

A MEI ainda precisa de carência?

Não. Desde 2024, o STF (ADIs 2.110 e 2.111) derrubou a carência do salário-maternidade da contribuinte individual, e o Enunciado 19 do CRPS confirmou. A MEI não precisa mais dos 10 meses: basta estar com a qualidade de segurada, ou seja, com o DAS em dia na data do parto ou da adoção.

Qual é o valor do salário-maternidade da MEI?

O valor é de 1 salário mínimo, R$ 1.621,00 em 2026. A MEI contribui sobre o salário mínimo, então o benefício dela parte desse piso, pago durante 120 dias.

Preciso parar de trabalhar para receber?

O salário-maternidade é um período de afastamento da gestante ou da mãe. Você continua MEI e deve manter o DAS em dia durante o benefício, mas o objetivo é cuidar do bebê nos 120 dias. Mantenha os pagamentos para não perder a qualidade de segurada.

A MEI pede o benefício pela empresa ou direto no INSS?

Direto no INSS. Diferente da empregada de carteira assinada, cujo salário-maternidade é adiantado pela empresa, a MEI faz o pedido pelo aplicativo ou site Meu INSS e recebe do próprio INSS.

Fontes: Lei 8.213/1991, arts. 71 e 71-A; Decreto 3.048/1999. Valor de 2026: salário mínimo de R$ 1.621,00.

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Para continuar: o que fazer se o pedido for negado, a regra de quem está desempregada e o planejamento da MEI na gravidez.

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